Domingo, 10 de Maio de 2009

FFFOi bom. Mas não foi fantástico. Acho que muito pelo facto de bons artistas na área da comunicação não serem necessariamente bons comunicadores. E a acústica do espaço não ajudou. E o espaço-sauna também não ajudou.

 

MAS foi uma oportunidade excelente de ver PES, Digital Kitchen e U.V.A. e de conhecer Robert L. Peters, Joshua Davis, Stefan Sagmeister e Si Scott Studio. É engraçado ver ao vivo as pessoas que criam coisas que admiramos. Coisas essas que imaginávamos produto de uma equipa de, no mínimo, 5 pessoas, e afinal veio tudo duma única cabecinha, como é o caso de PES.

 

PES

Tive mesmo pena de não estar a ver Western Spaghetti ou Roof Sex pela primeira vez, ali pela mão do artista, mas já foi muito bom saber algumas das histórias e dificuldades que houve durante as gravações desse mundo mais complexo do que parece do stop-motion. Por exemplo, a forma como contornaram a ilusão de água em Western Spaguetti, donde vieram os sofás de Roof Sex, ou o que sofreu o rapaz-prancha em Human Skateboard.

 

Digital Kitchen

O raio da coincidência, ter feito um trabalho de grupo o ano passado sobre esta gente, e no fundo não saber nada sobre ela. São pessoas incansáveis, sabem o que querem, dentro da incerteza toda que têm, preseverantes, originais, loucos e, ao mesmo tempo, equilibrados. Nesse trabalho que fizemos abordamos 4 dos genericos que fizeram (House, Nip Tuck, Dexter e Six Feet Under), pelo que foi óptimo terem detalhado todo o processo de criação de um quinto e bastante forte trabalho: Trueblood. UAU.

 

U.V.A.

Só qualidade! O vídeo que fizeram para os Massive Attack (United Snakes) e o que passaram juntamente com uma actuação dos Chemical Brothers, depois de saber o trabalho criativo e técnico que houve por trás, fazem com que sejam respeitados, mesmo nos seus falhanços. E, ainda assim, parecem pessoas "normais", daquelas com quem nos cruzamos na rua sem darmos sequer por elas, ao contrário daqueles dois da agência Champagne Valentine.

 

Robert L. Peters

Da Circle, é este o tal homem que podia ser pai de cerca de 5/6 da audiência do Offf. Ele que já fez tanta coisa tão diferente e, apesar da idade, não deixa de produzir coisas que se adequam ao Agora. Prima pela simplicidade, e nota-se a preocupação social no seu discurso. Mostrou duas frases (não tive tempo de apontar os autores) que adorei: "bombing for peace is like fucking for virginity" & "what you do speaks so loudly I cannot hear what you say". Foi muito interessante a apresentação deste senhor, vou tentar segui-lo onde ele for.


Joshua Davis

Um fucked up guy, assim fuckin' intenso, muito fuckin' espontâneo. Acho que a organização já conhecia a peça e por isso o escolheu para último painel do segundo dia. À sua maneira ele lá conseguiu ressuscitar meio mundo, por toda gente a ouvi-lo e ainda fazer rir. Gostei da sua sinceridade, de admitir que 80% do seu trabalho em design gráfico é gerado aleatoriamente por um algoritmo (criado por ele, claro), de mostrar como é feito esse trabalho, de publicá-lo para que possa ser utilizado de forma opensource, de nos ter mostrado as suas fraquezas e a maneira como se baseia em coisas simples como azulejos para chegar a padrões e composições. Ainda assim, gostava mais dos trabalhos dele antes de aplicar os restantes 20%.

 

Stefan Sagmeister

Conhecia a imagem do homem todo cortado, não associava ao nome. Entrou de vestido. Azul às pintinhas brancas. Estava à espera de bullshit, sinceramente. O público tinha expectativas muito altas, o homem é um ícone e já estava mesmo a imaginar palminhas por tudo e por nada. Felizmente não foi nada assim. Ele chegou, falou, preocupou-se com o público, nada de arrogâncias, só simplicidade, honestidade e felicidade. Nota-se que é um homem que está mais perto de alcançar a harmonia que um ser normal. E é, realmente, um geniozinho que por ali anda. O seu projecto ThingsIHaveLearnedInMyLife é genial. Sei que já me estou a repetir, mas é mesmo assim.

 

Si Scott Studio

WTFOMFG! Trabalhos excelentes de desenho À MÃO! Sim....à mão! Só é pena que o site ainda esteja em construção e não dê para ver o milagre que este senhor faz. Nem sequer é muito o meu estilo e, na verdade, notei pouca versatilidade nos seus trabalhos, mas o senhor merece respeito por continuar a desenhar à mão num mundo cada vez mais digital e, sobretudo, quando este lhe poderia diminuir as horas de trabalho em 90%. Mas ele gosta, ele faz bem é assim, ele tem jeito. Até estava atrapalhado só para passar slides no computador... Só mesmo no fim da apresentação é que acreditei na palavra dele, que era tudo feito à mão, confesso. E foi só porque achei que podia estar a ser injusta com ele...

 

E já chega. Foi o Offf para mim. Talvez repita. E, mesmo que fora de Portugal, aposto que hei-de encontrar pessoal do DeCA. Nunca falha.


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publicado por olhadizquesim às 00:50 | link do post | comentar

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